Deixa de muído e vem chamegar

Nossa curadoria tem informação, alertas e sugestões pra balançar lendo, ouvindo ou dançando

“Ai que saudade d’ôce!”

Não se admire se começamos com os versos da belíssima canção do paraibano Vital Farias. É que a gente gosta tanto das nossas conversas aqui que fica contando os dias para a nova edição. 

Preparamos uma curadoria bem sortida, com links pra te informar e até te balançar. Temos resumão pra quem já se perdeu no muído da #CPIdaCovid; checagem de fatos pra causar no grupo de zap da família ou dos amigos; poesia, arte e música pra amenizar a dureza dos dias. 

Toda essa diversidade só mostra o tanto de coisa boa que as iniciativas de mídia independente nos estados do Nordeste estão produzindo. E a gente tá sempre de olho. Se tu gostas de receber nossa newsletter , pode nos ajudar a continuar nessa colheita mandando um PIX pra cajueira.ne@gmail.com.

E falando nos frutos que encontramos dessa efervescência do jornalismo nordestino , acaba de estrear o Maranhão Independente, um projeto formado por um grupo de comunicadores  jovens, preocupados com justiça social e com uma melhor cobertura dos assuntos do estado. Arretado, né?! Aliás, tu conheces o Maranhão? Sabia que São Luís, a capital dessa terra maravilhosa, entre outras coisas, também é conhecida como a Jamaica brasileira? A gente explica no caminho, vem! 😉

Sirva-se! E viva o jornalismo independente!

A capital brasileira do reggae 

São Luís está bem distante do país caribenho onde nasceu o reggae. Não se sabe ao certo como o ritmo virou uma febre por lá. Uns dizem que foram discos trazidos por marinheiros. Outros, que foram as rádios. O fato é que São Luís é tão regueira que tem até um museu dedicado ao ritmo – o primeiro fora da Jamaica. Agora, o Maranhão Independente mostra que o jeito agarradinho do maranhense de dançar reggae pode virar Patrimônio Imaterial do estado.  Jah bless essa vibe indescritível!

Sem sair do Maranhão, a gente também colheu um conteúdo massa do Tambor Cast, que entrevistou uma infectologista e doutora em medicina tropical sobre a nova variante indiana do coronavírus.

Patrimônio ameaçado

Enquanto os maranhenses celebram seus patrimônios culturais, no Piauí comunidades quilombolas denunciam, em entrevista ao Oorre Diário, a destruição causada pela mineração no estado, que é o quarto do país em pesquisas de mineração.

Em Alagoas, comunidades tradicionais também enfrentam dificuldades. Indígenas da Aldeia Tinguí-Botó, em Feira Grande, matriculados na Universidade Estadual de Alagoas, estão há dois meses sem conseguir estudar por falta de equipamentos como computadores. A denúncia é do Mídia Caeté.

Nossa, o que rolou?

Capitão cloroquina, negacionistas, saias justas e mentiras. Tem quem ache a #CPIdaCovid mais animada que o finado #BBB ou o Netflix. As sessões são transmitidas ao vivo pela TV Senado, mas quem não conseguiu acompanhar pode ouvir um bom resumo no podcast Arrumadinho. O pessoal da Marco Zero Conteúdo  convidou um dos membros, o senador pernambucano Humberto Costa, do PT, para falar sobre o que está acontecendo nesse Big Brother  político.

É mentira!

É só falar de CPI da Covid que a gente lembra de mentira. 😂 Tu recebesse uma mensagem no zap sobre pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, que indica vitória de Bolsonaro em todos os estados em um possível confronto com Lula em 2022? Se sim, já pode responder com o link do Coar Notícias, mostrando que a informação é falsa. Aliás, um salve aqui para os projetos de checagem de fatos, que fazem um trabalho fundamental para combater a desinformação sobretudo nas eleições e agora na pandemia. 

Nesse intuito de combater #fakenews e promover redes sociais mais responsáveis e saudáveis, influenciadores digitais pernambucanos de várias áreas foram convidados nesta semana para um Workshop da plataforma Redes Cordiais. A Cajueira está lá representada por Joana Suarez. No Nordeste, o evento já ocorreu na Bahia e outros estados virão.

E o podcast Por trás da Mídia foi na contramão dos tempos de ódio e perguntou aos seus ouvintes o que eles fazem pela cultura de paz. Vai lá saber!


Castanhas 

(Quando você chega com o caju, a gente já tá com as castanhas - conteúdos rapidinhos e extra crocantes para saborear no meio da conversa) 

💃 Eita que saudade de dançar uma ciranda. Enquanto a gente não pode dar as mãos presencialmente, vamos entrar na roda sonora ouvindo a segunda  temporada do podcast Cirandeiras sobre os ritmos do Brasil. Tem Cavalo Marinho – da Zona da Mata  pernambucana –  Coco de Roda da Paraíba e muito mais. Tá a coisa mar linda de escutar!

🎧 Você certamente sabe quem é o maranhense Zeca Baleiro, mas e o cantor e compositor potiguar Yrahn Barreto, conhece? Se não, chegou a hora. Os dois nordestinos lançaram a música “Mares meus”, uma referência aos múltiplos sentimentos que cada um carrega em si, seus mares internos. O portal Saiba Mais mostrou o clipe, que foi gravado pelas esposas dos músicos, respeitando o isolamento.

😂 Minha gente, e o podcast Powdi que fez uma análise divertida do embate entre as músicas machistas conceituais e os bregas empoderados. Tem de Calypso a Roberto Carlos. Uma resenha!


Negras e nordestinas na política

Voltando ao debate político, no ano passado, pela primeira vez, o número de candidaturas negras foi superior ao de candidaturas brancas. Norte e Nordeste tiveram os maiores percentuais de mulheres negras concorrendo aos cargos, mas o que isso significou na prática? Quantas foram eleitas e quantas conseguiram sair saudáveis desse processo? As Blogueiras Negras puxaram esse debate importante. 

Novos formatos e velhos preconceitos

Já ouviu falar de Web Stories? É uma forma de contar histórias de um jeito atrativo, como se fossem stories do Instagram. O formato vem sendo usado por projetos jornalísticos como o Ceará Criolo. Olha como ficou legal essa lista deles com cinco documentários sobre racismo.

Por falar em história, essa é ruim de contar mas diz muito sobre o Brasil.   Uma funcionária da companhia elétrica do Rio Grande do Norte foi humilhada e exposta na internet após estacionar o carro na frente da casa da publicitária Giuliana Amorim, em um bairro de área nobre de Natal. O que pode parecer um relato pontual é, na verdade, um retrato do Brasil nos tempos atuais, segundo o Blog do Barreto, que fez reflexões sobre a violação do direito de imagem, o ódio de classe e o narcisismo. 

Alertas no Ceará e no rio São Francisco

O enfraquecimento do grupo criminoso Comando Vermelho, após as prisões de grande parte dos líderes da organização criminosa no Ceará, pode levar ao surgimento de uma nova facção no estado, segundo apurou a coluna de Thiago Paiva no site Bemdito. Integrantes presos em unidades de segurança máxima do estado anunciaram um “salve geral”, que seria o desligamento do grupo criminoso. 

E o jornalista Antônio Laranjeira nos alertou sobre os problemas sociais e ambientais do rio São Francisco que vêm sendo notícia internacional e silêncio regional. Esse mês a DW (da Alemanha) noticiou uma série de descasos e pressão do setor elétrico, já denunciados pelo portal Info São Francisco, jornal sem fins lucrativos que atua desde 2019 na região do Baixo São Francisco – a mais afetada pelo barramento das águas.

Em caso de caos, poesia

Terminamos com o poeta paraibano Jessier Quirino, que é conhecido por suas declamações e textos que celebram símbolos nordestinos, que ele chama de poesia matuta. O Serifa Cast entrevistou o escritor, que revelou que precisou desenvolver o poder da declamação e da poesia para sobreviver no território hostil da escola. Agora, Quirino comanda seu próprio canal no Youtube, o Papel de Bodega.

A poesia e as artes, de modo geral, se fazem ainda mais necessárias para alívio desses dias de loucura. Para ler mais poesia e conhecer novos escritores e escritoras, a gente recomenda o site Revista Acrobata. Só no mês de maio,o projeto independente do Piauí, já publicou histórias e poemas de Djami Sezostre, Jéssica Iancoski, Ademir Assunção e Tiago Alves Costa. Ler esses versos é um bom investimento de tempo e de saúde mental, confie ;) 

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